terça-feira, 26 de agosto de 2014

Atitudes da Sociedade para com o Estresse

As crenças da sociedade, expectativas e valores culturais terão uma forte influência nas respostas do indivíduo ao estresse e crises da vida. A cultura norte americana, por exemplo, valoriza as realizações competitivas como uma medida importante de sucesso e desempenho. Nesta sociedade, o sucesso material é altamente louvado enquanto falhar se tornou um indicador de culpa e ansiedade. Assim, em uma situação estressante, qualquer coisa que ameace o desempenho do indivíduo se torna uma fonte de medo e angústia. De fato, a competição entre estudantes universitários é assinalada como não somente a causa de principais experiências estressantes, mas também, como uma razão para solidão e isolamento.
 
Outra característica da cultura ocidental é a obsessiva busca pela juventude, o esforço para permanecer jovem e atraente. As mulheres são valorizadas por sua beleza e aparência juvenil a tal ponto que, à medida que envelhecem, sentem que devem esconder a idade e a verdadeira aparência. O próprio envelhecimento é menosprezado e intensamente negado.
 
Nas sociedades em que há ênfase excessiva ao apego a coisas materiais e sucesso material como as principais fontes de felicidade, as pessoas podem se tornar mais vulneráveis ao estresse. Tais apegos fazem com que abandonar excessos materiais seja mais difícil. Da mesma forma, quanto mais as pessoas se tornam dependentes do poder material como uma fonte de segurança e satisfação, mais serão suscetíveis ao estresse da insegurança. Por outro lado, se o poder material é subordinado ao poder espiritual, então, a humanidade logra alcançar maior segurança.
 
O avanço da tecnologia moderna mudou nossa percepção da realidade do estresse e sofrimento. Agora esperamos ter conforto e segurança em todas os aspectos de nossas vidas. Isto, por sua vez, tornou a tarefa de lidar com o estresse mais difícil. Com as modernas descobertas científicas, experimentamos um sentimento ilusório de onipotência e poder de conquistar o universo.
 
Em tal ambiente, falhar em dominar as circunstâncias da vida se torna uma fonte de ansiedade. Alguns eventos são tão estressantes que se tornam como crises, além do controle humano. Os indivíduos que se sentem compelidos a controlar todos os aspectos da vida irão descobrir que é uma tarefa impossível. A incidência do alcoolismo, o uso das drogas, suicídio e violência em algumas sociedades podem, em parte, refletir este dilema. A necessidade de se ter um certo grau de controle sobre si mesmo e o ambiente é compreensível e necessária, mas quando se permite que essa necessidade aumente excessivamente, torna-se destrutiva.
 
Na cultura norte-americana existem dois fatores que contribuem para o perfil do indivíduo de personalidade propensa ao estresse: primeiro, a orientação para a competição e a realização no trabalho e na sociedade; e, segundo, o isolamento e a solidão no lar. Nós já exploramos as evidências prevalecentes que alimentam o primeiro fator. Quanto a este último, o desaparecimento da tradicional família extensa, por um lado e, por outro, o aparecimento da televisão – a qual, com frequência, subistitui as íntimas relações da família e isola o indivíduo ainda mais do que o rodeia – aumentará a susceptibilidade ao estresse e ao tédio em um mundo competitivo.
 
(A-M. Ghadirian, “Envelhecer-Desafios e Oportunidades”; George Ronald, 1991; livre tradução.)
O Dr. Ghadirian, é professor de psiquiatria na Faculdade de Medicina da McGill University e psiquiatra chefe no Royal Victoria Hospital e Douglas Hospital, Montreal/Canadá.
 
 

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Plano Nacional de Educação (2011-2020): principais metas

EDUCAÇÃO INFANTIL
- Ter 100% das crianças de 4 e 5 anos matriculadas na pré-escola até 2016 e 50% das crianças com até três anos matriculadas em creches nos próximos dez anos.

ENSINO FUNDAMENTAL
- Fazer com que todas as crianças de 6 a 14 anos estejam matriculadas no ensino fundamental de 9 anos, e garantir que, em um prazo de dez anos, pelo menos 95% delas concluam o fundamental na idade recomendada.
- Alfabetizar todas as crianças até o fim do terceiro ano do ensino fundamental.

ENSINO MÉDIO
- Atendimento escolar para 100% dos adolescentes entre 15 a 17 anos até 2016 e elevar, em até dez anos, a taxa líquida de matrículas dessa faixa etária no ensino médio para 85%.
- Em até dez anos, triplicar o número de matrículas educação profissional técnica de nível médio, garantindo a qualidade; no mesmo período, aumentar em pelo menos 50% a oferta de matrículas no segmento público de educação profissional.

ENSINO SUPERIOR
- Elevar a taxa bruta de matrícula da educação superior para 50% da população entre 18 a 24 anos, assegurando a qualidade, e expandir as matrículas no setor público em pelo menos 40%.
- Garantir que pelo menos 75% dos professores da educação superior sejam mestres e 35%, doutores.
- Ampliar as matrículas na pós-graduação stricto sensu para atingir a titulação anual de 60 mil mestres e 25 mil doutores.

EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
- Aumentar a escolaridade média da população de 18 a 29 anos, alcançando, em até dez anos, a média de 12 anos de estudo para as populações do campo e dos 25% mais pobres; além disso, igualar a escolaridade média entre negros e não-negros.
- Reduzir para 6,5% a taxa de analfabetismo da população maior de 15 anos até 2015 e erradicá-la em até dez anos; no mesmo período, reduzir a taxa de analfabetismo funcional pela metade.
- Garantir que pelo menos 25% das matrículas da educação de jovens e adultos (EJA) seja integrada à educação profissional.

QUALIDADE E INCLUSÃO
- Oferecer educação em tempo integral para pelo menos 25% dos alunos do ensino básico em pelo menos 50% das escolas públicas.
- Fomentar a qualidade da educação, com melhoria do fluxo escolar e da aprendizagem, para atingir, em 2021, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 6,0 nos anos iniciais do fundamental, de 5,5 nos anos finais do fundamental e de 5,2 no ensino médio.
- Garantir que todas as crianças e adolescentes de 4 a 17 anos com necessidades especiais tenham acesso à educação básica com atendimento educacional especializado, preferencialmente na rede regular de ensino.

PROFESSORES
- Criar, em até um ano, uma política nacional de formação de professores para assegurar que todos os professores da educação básica possuam curso de licenciatura de nível superior na área de conhecimento em que atuam.
- Formar, em até dez anos, 50% dos professores da educação básica em nível de pós-graduação, e garantir que 100% dos professores tenham curso de formação continuada.
- Equiparar, em até seis anos, os salários dos professores das redes públicas de educação básica ao dos demais profissionais com escolaridade equivalente.
- Criar, em até dois anos, planos de carreira para os professores do ensino básico e superior das redes públicas, tomando como base o piso salarial nacional. 

INVESTIMENTO
- Em até dois anos, dar condições para a efetivação da gestão democrática da educação, com critérios de mérito e desempenho e consulta pública à comunidade escolar.
- Atingir, em até dez anos, o investimento do equivalente a 10% do Produto Interno Bruto (PIB) na educação pública.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Plano Nacional de Educação (PNE) 2011-2020

Em 9 de janeiro de 2001, no governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso, foi sancionada a Lei nº 10172, responsável pela aprovação do Plano Nacional de Educação (PNE). Tal documento, criado a cada dez anos, traça diretrizes e metas para a educação em nosso país, com o intuito de que estas sejam cumpridas até o fim desse prazo.

O primeiro PNE foi elaborado em 1996, para vigorar entre os anos de 2001 a 2010. Além de possuir diversas metas, dificultando o foco em questões primordiais, estas não eram mensuráveis e não apresentavam, por exemplo, punições para aqueles que não cumprissem o que foi determinado. Além disso, algumas questões importantes foram vetadas pela presidência, como o aumento do Produto Interno Bruto (PIB) direcionado para a educação, em 3%, em razão das dificuldades econômicas vigentes no segundo mandato do presidente em exercício; e a responsabilidade pela educação, mesmo a pública, foi colocada como uma tarefa de todos, descentralizando a responsabilidade do Estado quanto a isso – embora tal descentralização não tenha ocorrido, por exemplo, no que tange às decisões, que poderiam ser compartilhadas considerando as pontuações e vontade dos diversos segmentos sociais do nosso país. Aliás, é válido frisar que a lei referida no primeiro parágrafo deste artigo foi originada a partir da pressão social de várias entidades, predominantemente constituídas por educadores, profissionais da educação, pais de alunos e estudantes.

No que se refere ao novo PNE, que contempla os anos de 2011 a 2020, seu projeto de lei foi enviado pelo governo federal ao Congresso em 15 de dezembro de 2010. Este documento é mais sucinto, e também quantificável por estatísticas, podendo facilitar a sua execução e também fiscalização. Tal fato também permite com que ele seja discutido nas escolas, aumentando as chances de seus objetivos serem, de fato, compreendidos e também alcançados.
 
Suas diretrizes são as seguintes:
I - erradicação do analfabetismo;
II - universalização do atendimento escolar;
III - superação das desigualdades educacionais;
IV - melhoria da qualidade do ensino;
V - formação para o trabalho;
VI - promoção da sustentabilidade socioambiental;
VII - promoção humanística, científica e tecnológica do País;
VIII - estabelecimento de meta de aplicação de recursos públicos em educação como proporção do produto interno bruto;
IX - valorização dos profissionais da educação;
X - difusão dos princípios da equidade, do respeito à diversidade e a gestão democrática da educação.

Quanto às metas, são elas:
Meta 1: Universalizar, até 2016, o atendimento escolar da população de 4 e 5 anos, e ampliar, até 2020, a oferta de educação infantil de forma a atender 50% da população de até 3 anos.

Meta 2: Universalizar o ensino fundamental de nove anos para toda população de 6 a 14 anos.

Meta 3: Universalizar, até 2016, o atendimento escolar para toda a população de 15 a 17 anos e elevar, até 2020, a taxa líquida de matrículas no ensino médio para 85%, nessa faixa etária.

Meta 4: Universalizar, para a população de 4 a 17 anos, o atendimento escolar aos estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação na rede regular de ensino.

Meta 5: Alfabetizar todas as crianças até, no máximo, os oito anos de idade.

Meta 6: Oferecer educação em tempo integral em 50% das escolas públicas de educação básica.

Meta 7: Atingir as seguintes médias nacionais para o IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica):

IDEB 2011 2013 2015 2017 2019 2021
Anos iniciais do ensino fundamental 4,6 4,9 5,2 5,5 5,7 6,0
Anos finais do ensino fundamental 3,9 4,4 4,7 5,0 5,2 5,5
Ensino médio 3,7 3,7 4,3 4,7 5,0 5,2
 
Meta 8: Elevar a escolaridade média da população de 18 a 24 anos de modo a alcançar mínimo de 12 anos de estudo para as opulações do campo, da região de menor escolaridade no país e dos 25% mais pobres, bem como igualar a escolaridade média entre negros e não negros, com vistas à redução da desigualdade educacional.

Meta 9: Elevar a taxa de alfabetização da população com 15 anos ou mais para 93,5% até 2015 e erradicar, até 2020, o analfabetismo absoluto e reduzir em 50% a taxa de analfabetismo funcional.

Meta 10: Oferecer, no mínimo, 25% das matrículas de educação de jovens e adultos na forma integrada à educação profissional nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio.

Meta 11: Duplicar as matrículas da educação profissional técnica de nível médio, assegurando a qualidade da oferta.

Meta 12: Elevar a taxa bruta de matrícula na educação superior para 50% e a taxa líquida para 33% da população de 18 a 24 anos, assegurando a qualidade da oferta.

Meta 13: Elevar a qualidade da educação superior pela ampliação da atuação de mestres e doutores nas instituições de educação superior para 75%, no mínimo, do corpo docente em efetivo exercício, sendo, do total, 35% doutores.

Meta 14: Elevar gradualmente o número de matrículas na pós-graduação stricto sensu de modo a atingir a titulação anual de 60 mil mestres e 25 mil doutores.

Meta 15: Garantir, em regime de colaboração entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, que todos os professores da educação básica possuam formação específica de nível superior, obtida em curso de licenciatura na área de conhecimento em que atuam.

Meta 16: Formar 50% dos professores da educação básica em nível de pós-graduação lato e stricto sensu, garantir a todos formação continuada em sua área de atuação.

Meta 17: Valorizar o magistério público da educação básica a fim de aproximar o rendimento médio do profissional do magistério com mais de onze anos de escolaridade do rendimento médio dos demais profissionais com escolaridade equivalente.

Meta 18: Assegurar, no prazo de dois anos, a existência de planos de carreira para os profissionais do magistério em todos os sistemas de ensino.

Meta 19: Garantir, mediante lei específica aprovada no âmbito dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, a nomeação comissionada de diretores de escola vinculada a critérios técnicos de mérito e desempenho e à participação da comunidade escolar.

Meta 20: Ampliar progressivamente o investimento público em educação até atingir, no mínimo, o patamar de 7% do produto interno bruto do país.

Vale lembrar que todas essas metas apresentam alguns subitens, referentes às estratégias de ação.

Por Mariana Araguaia
Bióloga, especialista em Educação Ambiental
Equipe Brasil Escola

Fonte:  http://educador.brasilescola.com/politica-educacional/plano-nacional-educacao-pne.htm

Obs.: O Plano Nacional de Educação (PNE) foi sancionado pela Presidente Dilma Rousseff no dia 25 de junho de 2014, depois de três anos e meio tramitando no Congresso Nacional.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

"10 reflequições" com Millôr Fernandes


I- Todo mundo viaja. Poucos chegam Lá.  
II- As guerras acabam. Mas as ruas nunca ficam prontas.  
III- Tinha um ar soberbo. Totalmente poluído.  
IV- Dizia "Minha cara metade", como quem reclama do preço.  
V- Confesso: sou pior sozinho do que mal acompanhado. 
VI- Repara: quando você aprende uma palavra nova, ela aparece em todos os lugares.  
VII- Solitário dorme sozinho. Rejeitado acorda sozinho.  
VIII- Mostrei-lhe a lua no horizonte, redonda, linda. Mas ela prefere o Faustão.
IX- Não há pessoa mais chata do que você mesmo. Fuja da solidão.
X- Fica frio, amigo, não foi o brasileiro o inventor da corrupção. Baseado no mais profundo ensinamento da minha religião, a corrupção começou no Princípio dos Princípios, justamente no Jardim do Éden. Quando os dois proto-Safados, corrompidos pela Serpente, desrespeitaram a Lei do Senhor e comeram o Fruto da Ciência do Bem e do Mal, o desrespeito espantoso ficou conhecido como A Queda. Mas não passou assim pelo Todo (como era conhecido o Todo-Poderoso), que condenou os três culpados por uso indevido de bem público e formação de quadrilha. Logo o Anjo Gabriel, executor das ordens do Supremo, expulsou Adão e Eva do Paraíso, obrigando-os a viver na periferia, a leste do Éden. Mas a Serpente, misteriosamente, nunca foi punida.

http://www2.uol.com.br/millor/aberto/textos/005/001.htm

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Organização do tempo no trabalho: dicas



Saber utilizar o tempo a seu favor é um grande diferencial para os profissionais, independentemente da área de atuação, segundo o diretor-executivo da Innovia Training & Consulting, Ricardo Barbosa.
Para ser mais produtivo, ele recomenda que o profissional separe suas atividades em: crises (importante e urgente), urgências (urgente, mas não importante), planejamento (importante, mas não urgente) e rotina (nem importante nem urgente).
"São grandes os resultados que se têm com a capacidade de organizar bem o tempo de serviço, produzindo adequadamente dentro do horário de trabalho, evitando horas extras e dando os retornos necessários."
Segundo o executivo, o profissional que estabelece uma boa relação com o tempo terá muito mais horas disponíveis para sua vida pessoal. "Só pensar no trabalho não é bom, pois isso afeta diretamente a nossa saúde, família e qualidade de vida. Quando planejamos nossas atividades, conseguimos ser produtivos", diz Barbosa.
Dicas para organizar o tempo no trabalho
  • Evite ficar sempre conectado
Liberte-se dos elementos que tiram o foco do trabalho como chats, redes sociais, skype, messengers etc. Reserve um momento no seu dia para cuidar dos seus e-mails e relacionamentos, mas não permaneça 100% do tempo conectado
  • Organize suas ações
Faça uma lista de todas as tarefas do dia e ordene suas realizações. Ficar preocupado com muitas coisas faz com que não realizemos nenhuma ação adequadamente
  • Faça hoje
Por mais que seja convidativo, o adiamento das tarefas gera acúmulo de trabalho. Pode parecer que não haverá problemas, mas tenha certeza de que o resultado não será positivo. Assim, evite deixar para amanhã o que se pode fazer hoje
  • Evite a sobrecarga de trabalho
Muitos profissionais acumulam obrigações e querem resolver tudo para parecerem produtivos. Saiba que cada um tem seu escopo de trabalho e é pago para isso. Assim, priorize seu objetivo final
  • Deixe problemas pessoais em casa
Evite que os problemas pessoais interfiram nos resultados do trabalho. A falta de concentração na tarefa em execução pode levar ao trabalho dobrado ou a prejuízos muito maiores
  • Descanse
Nenhum profissional é produtivo 100% do seu tempo, e cada vez mais precisamos exercer o ócio criativo para termos relações de trabalho balanceadas.
 
Fonte: Uol, São Paulo. Especialista aponta seis dicas para organizar o tempo no trabalho.<http://noticias.bol.uol.com.br/ultimas-noticias/economia/2014/07/09/especialista-revela-seis-dicas-para-organizar-o-tempo-no-trabalho.htm>.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Violência simbólica no trabalho: reflexões

Por Ernaldina Sousa Silva Rodrigues

Uma das questões que se coloca nas relações entre as pessoas é o respeito às diferenças. Dessa forma, às vezes, em alguns espaços de trabalho, são “comuns” ações de violência simbólica entre colegas que envolvem, muitas vezes, a honra, a personalidade e a intimidade. Esse tipo de violência configura-se por agressões morais.  Sendo assim, essas ações não podem passar despercebidas sem uma reflexão sobre suas consequências. 

O Código Penal, no seu Capítulo V, elenca a calúnia, a injúria e a difamação como crimes contra a honra. Mas, qual a diferença entre essas três espécies de crime?
a)      Calúnia
“Art. 138 – Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como crime.”  Exemplo: “Foi Fulana quem roubou o supermercado da esquina ontem”. Ou seja, atribuir a uma pessoa uma conduta definida.

b)     Difamação
“Art. 139 – Difamar alguém, imputando-lhe fato ofensivo à sua reputação”. Exemplo: “Fulano gosta de manter relações com seus primos”. Nesse caso, atribuiu-se a uma pessoa determinada conduta que mancha a sua honra perante a sociedade.  

c)      Injúria
“Art. 140 -  Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro.” Exemplo: “Beltrana é a mulher mais feia que já vi na vida.”  Por sua vez, esse caso imputa-se ao ofendido uma conduta que lhe ofende a própria honra subjetiva. Atribui a uma pessoa qualidade negativa.
Segundo o Código Penal, todos esses crimes preveem pena de detenção e/ou multa. Essas penas podem aumentar se os crimes forem cometidos, por exemplo: a) “contra funcionário público, em razão de suas funções”. (Art. 141, II); b) “na presença de várias pessoas, ou por meio que facilite a divulgação de calúnia, da difamação ou da injúria”. (Art. 141, III). 

Além do exposto, o artigo 320, do mesmo código, trata da “condescendência criminosa”, quer dizer, complacência/perdão: Deixar o funcionário, por indulgência, de responsabilizar subordinado que cometeu infração no exercício do cargo ou, quando lhe falte competência, não levar o fato ao conhecimento da autoridade competente. 

Esses crimes são “comuns” nos interiores das instituições que frequentamos ou trabalhamos e passam “até” despercebidos; são tidos como uma “coisa normal”. Nada é normal até conhecermos de fato  do que se trata; de tomarmos conhecimento de nossos direitos e de sabermos que somos seres humanos e precisamos ser respeitados como tal. Esse respeito exige de nós uma postura ética no trabalho como forma de comportamento no meio social. 

O sentido que faço da ética inspira-se  na interpretação da filósofa e educadora Terezinha Rios. Ela diz que a ética não é algo que se ensina como Matemática, Português, História, etc (...). Ao ensinarem as diversas disciplinas, os professores e professoras revelam em suas atitudes, valores em que acreditam e que sustentam sua vida e seu trabalho (...). Sem a presença da ética, a escola se distanciará da realização de um trabalho sério e competente. Não somente a escola, mas todo espaço de trabalho  se distanciará da seriedade e da competência.  

Nesse sentido, precisamos estar atentos sobre ações de violência simbólica que possam vir a ocorrer no ambiente de trabalho. Assim, precisamos nos vigiar sobre o que falamos e com quem falamos, devendo tomar cuidado com as palavras que usamos, para não causar dano ofensivo que possa ferir a dignidade e a honra das pessoas. Segundo Victor Eduardo Gonçalves, a honra é o conjunto de atributos morais, físicos e intelectuais de uma pessoa, que a tornam merecedora de apreço no convívio social e que promovem a sua autoestima. 

Precisamos estar atentos à capacidade de dialogar com nossos pares de trabalho, estabelecendo o direito às diferenças de cada pessoa e ocupando-nos em canalizar as energias positivas.  

Por fim, convém citar o educador Paulo Freire quando diz que não podemos deixar, portanto, que a “raiva” que temos de uma pessoa se transforme em raivosidade, porque corre o risco de alongar-se em odiosidade: Por mais que me desagrade uma pessoa, não posso menosprezá-la com um discurso em que, cheio de mim mesmo, decreto sua incompetência absoluta. Discurso em que, cheio de mim mesmo, trato-o com desdém, do alto da minha falsa superioridade.


terça-feira, 15 de julho de 2014

Aprendizagem significativa: apontamentos de leitura

Por Ernaldina Sousa Silva Rodrigues

Construímos significados cada vez que somos capazes de estabelecer relações substantivas entre o que aprendemos e o que já conhecemos.
Em termos piagetianos, poderíamos dizer que construímos significados integrando ou assimilando o novo material de aprendizagem aos esquemas que já possuímos de compreensão da realidade. O que empresta um significado ao material de aprendizagem é precisamente a sua assimilação, a sua inserção nesses esquemas prévios. A construção de significados implica igualmente uma acomodação, uma diversificação, um enriquecimento, uma maior interconexão dos esquemas prévios. Ao relacionar o que já sabíamos com o que estamos aprendendo, os esquemas de ação e de conhecimentos adquirem novas potencialidades como fonte futura de atribuição de significados. Nem sempre a aprendizagem é significativa, ou seja, nem sempre dá lugar à construção de significados.
Antes de tudo, é necessário que o novo material de aprendizagem, o conteúdo que vamos aprender, seja potencialmente significativo, ou melhor, seja suscetível de dar lugar à construção de significados. Para isto, deve cumprir duas condições: uma intrínseca ao próprio conteúdo de aprendizagem e outra relativa ao aluno que vai aprendê-lo particularmente.
O conteúdo deve possuir certa estrutura interna, certa lógica intrínseca, um significado em si mesmo, potencialmente significativo, uma significância lógica. Deve ser apresentado de tal maneira que a significância lógica fique amplamente realçada. É necessário que o conteúdo seja potencialmente significativo do ponto de vista psicológico (significância psicológica). Além disso, é favorável para aprender significativamente. Essa atitude para a aprendizagem significativa faz referência a uma intencionalidade do aluno para selecionar o novo material de aprendizagem com o que já conhece, com os conhecimentos adquiridos previamente, com os significados já construídos. A intervenção do professor é fator determinante para despertar e incrementar a motivação do aluno para aprender significativamente.
A aprendizagem significativa de um conteúdo qualquer implica inevitavelmente uma memorização compreensiva ( e não mecânica) à sua situação ou armazenamento numa rede mais ou menos ampla de significados.
A ênfase da aprendizagem significativa reside na existência de conhecimentos prévios pertinentes para o conteúdo a aprender, que dependem, naturalmente, em parte, da aptidão intelectual do aluno, mas também, e, sobretudo, das experiências prévias de aprendizagem, tanto escolares como extraescolares. As significações que o aluno constrói a partir do que lhe é ensinado dependem dos conhecimentos prévios que possua, da sua colocação com o novo material de aprendizagem e do sentido que atribui a este e à própria atividade de aprendizagem. A origem da intencionalidade com a qual os alunos abordam as atividades de aprendizagem ou a origem do sentido que atribuem à sua participação nas mesmas e sobre os processos psicológicos que intervêm em sua formação, podem estar na maneira como o professor apresenta a tarefa e, sobretudo, a interpretação que o aluno faz disso. Essa interpretação tem um caráter dinâmico, não vem dada de uma vez por todas, mas é forjada e modificada no próprio decorrer da atividade de aprendizagem.
Então, o sentido que os alunos atribuem a uma tarefa escolar e, consequentemente, os significados que podem construir a respeito estão determinados por seus conhecimentos, habilidades, capacidades ou experiências prévias, pela complexa dinâmica de intercâmbios comunicativos que se estabelecem em múltiplos níveis entre os participantes, entre os próprios alunos, e, especialmente, entre o professor e os alunos. Mediante o jogo dos processos psicossociológicos presentes na situação de ensino, ou seja, o jogo das apresentações mútuas, das expectativas que são geradas, dos comportamentos a que estas dão lugar, do intercâmbio de informações, do estabelecimento mais ou menos explícito e de consenso das regras ou normas de atuação, vai-se definindo progressiva e conjuntamente o contexto em cujo âmbito o aluno atribui um sentido ao que faz e constrói alguns significados, isto é, realiza algumas aprendizagens com um determinado grau de significância.
Entende-se que a aprendizagem significativa é a aprendizagem que o aluno leva a cabo a partir de uma análise externa e objetiva do que e do como lhe ensinamos e as interpretações subjetivas que o próprio aluno constrói e esse respeito.
Diante dessas constatações, o ensino deve exercer uma influência direta sobre a aprendizagem dos alunos. Estes devem ter contato com os conteúdos de aprendizagem para que possam descobrir, inventar ou construir significados correspondentes etc. Compreender esse processo é entender que o conceito de aprendizagem significativa é potencialmente heurístico como instrumento de análise e de reflexão psicopedagógica. Além disso, é preciso ponderar que os significados que os alunos constroem no decurso das atividades escolares correspondem a conteúdos que em sua maior parte são, de fato, criações culturais. Com efeito, praticamente todos os conteúdos que a educação escolar tenta veicular são formas culturais que os professores e os alunos já encontram em boa parte elaborados e definidos antes de iniciar o processo educacional.
Nessa perspectiva, a construção do conhecimento é orientada a compartilhar significados e sentidos, enquanto o ensino é um conjunto de atividades sistemáticas mediante as quais professor e aluno chegam a compartilhar parcelas progressivamente mais amplas de significados com relação aos conteúdos do currículo escolar.

Referência:
COLL, César. Significado e sentido na aprendizagem escolar. Reflexões em torno do conceito de aprendizagem significativa. In:_______. Aprendizagem significativa e construção do conhecimento/César Coll; trad. Emília de Oliveira Dihel. – Porto Alegre: Artmed, 1994, p. 152-166.