sábado, 7 de dezembro de 2013

Metáfora da vida

O Caderno 

Toquinho

Sou eu que vou seguir você
Do primeiro rabisco
Até o be-a-bá.
Em todos os desenhos
Coloridos vou estar
A casa, a montanha
Duas nuvens no céu
E um sol a sorrir no papel...
Sou eu que vou ser seu colega
Seus problemas ajudar a resolver
Te acompanhar nas provas
Bimestrais, você vai ver
Serei, de você, confidente fiel
Se seu pranto molhar meu papel...
Sou eu que vou ser seu amigo
Vou lhe dar abrigo
Se você quiser
Quando surgirem
Seus primeiros raios de mulher
A vida se abrirá
Num feroz carrossel
E você vai rasgar meu papel...
O que está escrito em mim
Comigo ficará guardado
Se lhe dá prazer
A vida segue sempre em frente
O que se há de fazer...
Só peço, à você
Um favor, se puder
Não me esqueça
Num canto qualquer

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

O professor como prático reflexivo: apontamentos de leitura


Por Ernaldina Sousa Silva Rodrigues

Kenneth M. Zeichener é considerado um dos pensadores mais expressivos na área de formação inicial de professores. Os seus textos têm como foco a realidade dos Estados Unidos, mas vão além da realidade americana. É natural da Filadélfia e tem um longo percurso e experiência no ensino e na formação de professores. Nessa trajetória, foi professor do ensino básico, dirigiu programas de preparação de professores e um centro de ensino urbano. É diretor do programa de formação de professores da Universidade de Wisconsin-Madison.

Como os professores aprendem a ensinar? Como ajudar os professores a aprenderem a ensinar? Essas indagações constituem o problema de investigação de Zeichner. Para dar conta dessas questões, o autor começa a refletir sua própria prática enquanto formador de professores juntamente com outros colegas.

Zeichner aponta a problematização da prática como primeiro passo para o processo de reflexão. Afirma as suas crenças nos professores que têm consciência de seus objetivos e discorre sobre os seus esforços em promover a causa da profissionalização dos professores.

O que é este movimento da prática reflexiva e qual a razão do seu aparecimento? Pergunta o autor. Os termos prático reflexivo e ensino reflexivo tornaram-se slogans da reforma do ensino e da formação de professores por todo o mundo na última década. As razões decorrem da Racionalidade Técnica que tem o professor como técnico, passivo e limitado. A produção do conhecimento sobre o ensino de qualidade é feita pelas universidades que ignoram os conhecimentos e a experiência dos professores.

O professor como prático reflexivo é aquele que reflete sua própria experiência e reconhece que o processo de aprender a ensinar se prolonga durante sua carreira. Os programas de formação de professores podem preparar os professores para começarem a ensinar e ajudá-los a interiorizarem, durante a formação inicial, o estudo da maneira de como ensinam para melhorarem com o tempo e assumirem a responsabilidade pelo seu próprio desenvolvimento profissional.

Baseado na concepção de John Dewey sobre o ato humano e nas atitudes necessárias para a ação reflexiva: a abertura de espírito, responsabilidade e sinceridade, e no conceito de Donald Schön de que reflexão é “um processo que ocorre antes e depois da ação e, em certa medida, durante a ação, Zeichner enfatiza a reflexão como um processo e prática social. Ensino reflexivo como o ato dos professores criticarem e desenvolverem suas teorias práticas à medida que refletem sozinhos e em conjunto na e sobre a ação acerca do seu ensino e das condições sociais que modelam as suas experiências de ensino.

Zeichner traça as características que minam a emancipação dos professores nos programas de formação criando a ilusão da reflexão e descreve as tradições históricas da prática reflexiva.

O autor dar ênfase à prática de ensino reflexivo baseada na atenção do professor para dentro, para sua própria prática, como para fora, para as condições sociais que permeiam essa prática. Nesse ponto, o pensamento de Zeichner se diferencia de Schön que enfatiza a reflexão do professor para dentro, tácita. O autor vai além dizendo que a prática reflexiva é democrática, emancipatória e tem um compromisso com a reflexão enquanto prática social. Esses princípios, segundo Zeichner, constituem o conceito de professor como prático reflexivo.

Zeichner alarga a reflexão sobre o ensino prático reflexivo e nos instiga a vivenciar essa prática. Situa a prática educativa dentro de um contexto que envolve pesquisa, reflexão pessoal, social, política, dentre outras. Ensinar exige consciência de nós mesmos, do outro e das circunstâncias que nos cercam.
Como praticar esse ensino reflexivo dentro de uma realidade permeada totalmente pela racionalidade técnica? Essa reflexão e construção prática e teórica do saber, do conhecimento do professor bate de frente com a cultura do aluno, da escola e de todo o sistema educacional. Mas, é como a história do beija-flor: cada um fazendo a sua parte para se juntar ao todo.

Referência:

ZEICHNER, K.M. O professor como prático reflexivo. In: __________ A formação reflexiva dos professores: idéias e práticas. Lisboa, Educa, 1993, p. 13-28.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Preparando os Profissionais para as Demandas da prática e Ensinando o Talento Artístico Através da Reflexão-na-Ação: apontamentos de leitura

Por Ernaldina Sousa Silva Rodrigues

Os textos: Preparando os Profissionais para as Demandas da prática e Ensinando o Talento Artístico Através da Reflexão-na-Ação são capítulos do livro Educando o Professor Reflexivo de Donald Schön.

Donald Schön foi Professor de Estudos Urbanos e Educação no Instituto de Tecnologia de Massachusets. Formou-se em Filosofia em 1951, na Universidade de Gale, é mestre (1952) e Ph.D. (1955) em Filosofia pela Universidade de Harvard.

Schön, crítico da Racionalidade Técnica, não foi um pesquisador preocupado com o professor. Trabalhava no Instituto Tecnológico de Massachusets. Frequentava reuniões de arquitetos e começou a observar como os profissionais resolviam seus problemas técnicos.

Partindo da crise de confiança no conhecimento e na educação profissional, instala-se o dilema entre a racionalidade técnica e a relevância de se considerar as zonas indeterminadas da prática.

O autor ressalta a distância existente entre a concepção do conhecimento profissional dominante nas escolas e as atuais competências exigidas dos profissionais no campo de aplicação. O currículo profissional não é capaz de preparar os estudantes para a atuação competente em zonas incertas da prática. Toda situação prática é incerta, conflituosa. Ela não se encaixa na previsibilidade que a racionalidade técnica impõe. Não existe teoria que dê conta dos problemas da escola.

A questão é: os conceitos dominantes da educação profissional poderão construir um currículo adequado aos universos complexos, instáveis, incertos e conflituosos da prática?

Baseada na distância existente entre faculdade e local de trabalho, entre pesquisa e prática, a crise de confiança nas profissões e suas escolas está enraizada na epistemologia dominante.

Com que competência, então, os profissionais dão conta de zonas indeterminadas da prática na questão do relacionamento entre competência profissional e conhecimento profissional?

O autor aponta o “talento artístico” como inerente à prática dos profissionais. Então, como se manifesta o talento artístico profissional? Como as pessoas o adquirem para lidar com as zonas indeterminadas da prática?

No Capítulo 2, o autor parte do ateliê de projetos de arquitetura para tratar de temas sobre a atividade de projeto como uma forma de talento artístico; tarefas e dilemas fundamentais de um ateliê de projetos; diálogo entre estudante e instrutor; formas de diálogo; instrutor e estudante como praticantes do conhecimento profissional;, instrução do talento artístico e os obstáculos da aprendizagem. Esboça, assim, as principais características de um ensino prático reflexivo, aplicável à educação, para o talento artístico em outras profissões.

O “talento artístico” profissional refere-se aos tipos de competência de conhecer-na-ação e de reflexão na ação.

O conhecer-na-ação é um tipo de conhecimento tácito e espontâneo, sem deliberação consciente. Na ação, as situações se apresentam de forma inesperada, gerando a surpresa. Essa surpresa leva à reflexão dentro do presente-da-ação. A reflexão é consciente, ainda que não precise ocorrer por meio de palavras. A reflexão-na-ação surge, então, por meio de situações surpresas e inesperadas e tem uma função crítica, questionando a estrutura de pressupostos de conhecer-na-ação. A reflexão-na-ação tem uma imediata significação para a ação.

O conhecer-na-ação e a reflexão-na-ação fazem parte de um processo que pode ser desenvolvido sem que se precise dizer que se está fazendo.

Nesse processo, o profissional desenvolve o talento artístico reflexivo, construindo o ensino prático reflexivo.

Para Schön, ficou muito claro que o bom profissional, os grandes arquitetos, não usavam os pacotinhos fechados do conhecimento, mas usavam certos conhecimentos teóricos para resolver a situação. O diálogo com a situação é que dava condições para a resolução do problema. As situações singularizadas são incertas, inseguras e únicas.

Os textos em si desenvolvem uma visão geral do “ensino prático reflexivo” voltado para ajudar os estudantes a adquirirem os tipos de talento artístico, conhecer-na-ação e reflexão-na-ação, essenciais para a competência em zonas indeterminadas da prática. O autor argumenta que as escolas profissionais devem repensar tanto a epistemologia da prática quanto os pressupostos pedagógicos sobre as quais seus currículos estão baseados e devem adaptar suas instituições para acomodar o ensino prático reflexivo como um elemento-chave da educação profissional.

Os estudos de Schön valorizam o conhecimento tácito do profissional, fazendo-o refletir sobre o por quê ensina como ensina. Ressalta a necessidade de se resgatar o aspecto intuitivo do profissional quando enfrenta situações conflituosas e incertas.

As contribuições de Schön baseiam-se em desenvolver uma crítica ao modelo da racionalidade técnica e uma reflexão sobre a racionalidade prática.

Com esses estudos, Schön nos convida a desenvolver e a aprofundar, de forma crítica, a construção do conhecimento de nossa área de atuação.

Referência:

SCHÖN, Donald A . Preparando os Profissionais para as Demandas da prática e Ensinando o Talento Artístico Através da Reflexão-na-Ação. In: _______. Educando o Profissional Reflexivo: um novo design para o ensino e a aprendizagem. Porto Alegre, Artmed Editora, 2000, caps. 1 e 2.



terça-feira, 19 de novembro de 2013

Dieta para gripe

"Tem dieta para gripe?
Tem: comida de gripe é aquela velha canja tradicional brasileira que veio da China e da Índia junto com os marinheiros, nas caravelas. O arroz, branco ou integral, deve ser cozido em bastante água por 3 horas, no mínimo. Quanto mais cozinhar, melhor fica. Se galinha caipira houver, cozinhar junto até ela desmanchar. Temperar com alho, cebola, aipo, alho-poró, pimenta, azeite extravirgem, pouco sal ou shoyu, salsinha, hortelã. Tomar só essa canja quando der vontade, com ou sem galinha, até melhorar. 

Quente ou frio?
Ao perceber um resfriado chegando – mal-estar, dor de cabeça, moleza, espirro – é bom saber se ele é frio ou quente. O quente se trata com chás de natureza fresca, o frio com os de natureza morna.
frescos: assa-peixe, tanchagem, hortelã, poejo, camomila, raiz-de-lótus fresca 
mornos: canela, cravo, feno-grego, funcho, cominho, alho, raiz-de-lótus seca, cúrcuma, alecrim, gengibre fresco.

Gripe quente
Quando a vítima está muito seca, queixando-se de calor e com catarro grosso, vai se sentir melhor bebendo água fresca com gotas de limão, aos golinhos, ou chá de hortelã com 1 colherinha de mel. Não deve comer nada assado ou frito, só caldos e canja. 

Gripe fria
Quem tem sintomas de frio não deveria comer frutas e vegetais crus, só cozidos. Comida quente aquece a digestão. Digerir bem é essencial para aquecer o corpo e reduzir o muco. 

De onde vem o muco?
O que escorre do nariz e vira catarro é um excesso que o corpo está eliminando. Tem a ver com descuidos alimentares, má digestão, comida imprópria, toxinas. Também tem a ver com cansaço, portanto... descanse! 

Ele derrete!
Ingrid Naiman, em www.kitchendoctor.com, conta que aprendeu a entender o muco como uma cera que congestiona, pressiona, inflama, dói – mas derrete quando lhe damos fogo, por exemplo nos caldos apimentados e chás de ervas e especiarias quentes. 

Mel é bom?
O mel ajuda a dissolver catarro. Dois bons xaropes: cebola com mel e abacaxi com mel. Cortar em rodelas, cobrir com mel, deixar uma noite, tomar de colherinha. Dose máxima de mel por dia: 4 a 5 colherinhas (chá). 

Lavar o nariz
com água morna salgada, 2 a 3 vezes por dia, usando um conta-gotas ou similar, elimina micróbios que complicam resfriados, gripes, sinusites, etc. Medida: 1 colher (chá) de sal em um copo de água morna. 

Inalação é bom?
Só se o clima estiver seco, explica Carla Saboya. Em clima úmido, considera mais eficiente queimar folhas secas de capim-limão pela casa, soltando a fumaça nos cantos e até dentro dos armários."

Fonte: Transcrito de <http://correcotia.com/atchim/> em 18 nov. 2013.



terça-feira, 12 de novembro de 2013

Um toque de Clássicos: apontamentos de leitura


Por Ernaldina Sousa Silva Rodrigues

Karl Marx (1818-1883) pertence ao grupo dos clássicos do pensamento sociológico juntamente com Émile Durkheim e Max Weber. Formulou teorias sobre a vida social e analisou a sociedade capitalista. Acreditava que a razão era um instrumento de apreensão e entendimento da realidade e de construção de um mundo mais justo.

O texto 'Introdução', do livro 'Um toque de Clássicos', sintetiza os fundamentos conceituais e metodológicos da teoria social contida na obra de Marx.

Marx parte do significado da dialética de Hegel de forma invertida. Se para Hegel é o pensamento que cria a realidade manifestada exteriormente pela ideia; para Marx, é o mundo material que cria a realidade por meio da contradição vivida entre os homens em condições históricas e sociais reais. A dialética, segundo Marx, é o método de análise da vida social, econômica, política e intelectual que deve ser feita do estudo dos fatos concretos, a fim de expor a vida real. Dessa forma, as autoras Oliveira e Quintaneiro (2002),comparam o materialismo histórico com o  idealismo hegeliano.

No idealismo hegeliano, a história da humanidade é a historia do espírito. Para Marx, o ponto de partida são os indivíduos reais, a sua ação e as suas condições de existência.

A base de todas as relações entre os homens se estabelece por meio das relações materiais e o modo como produzem seus meios de vida. Essa análise fundamenta o materialismo histórico.

A natureza é o meio onde os homens buscam suprir suas necessidades. A produção e a reprodução da vida se dão por meio do trabalho tido como principal atividade humana que constitui a história do homem.

Forças produtivas referem-se aos instrumentos e habilidades que possibilitam o controle das condições naturais em que os homens se encontram. As relações sociais de produção implicam em como os homens se organizam socialmente para produzir, distribuir e se apropriarem dos meios de produção. As relações sociais são produzidas pelos homens e estão ligadas às forças produtivas.

O conjunto das forças produtivas e das relações sociais, a base econômica, forma a infraestrutura de uma sociedade. A super-estrutura ou supra-estrutura é construída pelo nível político-ideológico e está condicionada pelo modo como os homens estão organizados no processo produtivo.

Marx explica as lutas de classes na sua estrutura e forma, demonstrando que a existência das classes está unida apenas a determinadas fases históricas do desenvolvimento da produção; que a luta de classes conduz à ditadura do proletariado; que a abolição de todas as classes para uma sociedade sem classes se fará por meio do proletariado. Portanto, a classe explorada, que é o proletariado, impulsionará a mudança estrutural da sociedade.

O aparecimento das classes sociais vincula-se ao surgimento de um excedente de produção que possibilita a apropriação privada das condições de produção e da divisão social do trabalho. As classes vinculam-se às relações de produção e constituem o nível de estrutura de uma sociedade.

A classe revolucionária, os grupos explorados, a classe oprimida socialmente, o proletariado constituem a maior força produtiva, segundo Marx. A partir do momento que a classe revolucionária se organizar e se apropriar das forças produtivas, dar-se-á a conquista do poder e a revolução social.

Para analisar a sociedade capitalista, parte-se da mercadoria tendo um valor de uso e um valor de troca definidos por meio do caráter social das necessidades, do nível de cooperação, dentre outros. O trabalhador vende sua força de trabalho como uma mercadoria para o capital. Uma parte do valor, apropriado sob a forma de trabalho excedente passa a ser trabalho não pago e passa a integrar o capital. O tempo de trabalho excedente é a mais valia e representa a exploração da força de trabalho pelo capital, segundo Marx.

A burguesia teve um papel revolucionário nos instrumentos de produção e nas relações sociais, impulsionando a livre concorrência e a dominação econômica e política da classe burguesa, desde a sociedade feudal onde se originou.

Com essa dominação, surgiram as classes da burguesia e do proletariado. Para eliminar as condições de apropriação e concentração dos meios de produção na classe burguesa, funda-se a sociedade sobre uma nova forma de organização social. Numa fase transitória, essa forma seria uma ditadura do proletariado. Ao realizar as condições propostas, a sociedade seria comunista.

A dominação da burguesia é tão exacerbada que o trabalhador tem o trabalho como meio de sobrevivência e um sacrifício de sua vida. A alienação está na organização social da produção. O poder social é percebido como uma força alheia.

Com a sociedade comunista, o conflito entre homem e natureza e entre homem e homem se resolveriam, haveria a reconstrução consciente da sociedade humana e iniciaria uma nova vida social.

Nas conclusões, as autoras discorrem sobre a complexidade do objeto que o marxismo procura analisar e apresentam o resultado dessas análises.

OLIVEIRA, M.G.M. E QUINTANEIRO, T. Karl Marx – Introdução. In: Quintaneiro, T; Barbosa, M. L. e Oliveira, M. G. M. (Orgs.). Um toque de Clássicos. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2002, p. 27-66.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Curso de Filosofia Positiva: apontamentos de leitura


Por Ernaldina Sousa Silva Rodrigues

Antes do advento da máquina a vapor, o homem usava a energia natural. Com o surgimento da máquina a vapor, a humanidade sofreu alterações cruciais como as que ocorreram com a Revolução Industrial no Século XVIII. Nessa época, fervilhavam as ideias em torno do cientificismo, tendo a ciência como a única fonte de conhecimento possível e o método das ciências da natureza o único válido. Nesse contexto, Auguste Comte (1798-1857), francês, desenvolveu o seu pensamento positivista. Os positivistas reduzem o trabalho da filosofia à mera síntese dos resultados das diversas ciências particulares. O aparecimento dos positivistas deveu-se a crítica feita por Immanuel Kant, filósofo alemão, à metafísica na Crítica da razão pura juntamente com os idealistas. Comte é considerado o fundador da sociologia como ciência.

O Curso de Filosofia Positiva, de autoria de Comte, divide-se em duas lições. Cada lição conta com um sumário que favorece uma visão panorâmica sobre os temas tratados.

A primeira trata da finalidade do curso.  O autor explica a evolução histórica do espírito humano, da humanidade da filosofia com a teoria dos três estados sucessivos: o estado teológico ou fictício, ligado aos mitos, às crenças, aos deuses e à religião. O estado ou sistema metafísico, destinado a servir de transição, de explicar o modo de geração dos fenômenos,  onde o espírito humano é movido por força abstratas, personificadas, verdadeiras entidades inerentes aos diversos seres do mundo. O estado positivo, o espírito humano é fixo e definitivo, preocupa-se em descobrir suas leis efetivas e a saber suas relações invariáveis de sucessão e de similitude.

Exalta o estado positivo como fundamental na idade viril ou madura do espírito humano, desprezando o teológico e o metafísico. A filosofia positiva é o verdadeiro estado definitivo da inteligência humana, porque possibilita a observação e a formação de teorias reais. Todos os fenômenos são tomados como sujeito a leis naturais invariáveis. Nesse estado, a filosofia positiva apenas descreve os fenômenos, sem explicá-los. Se tais explicações ocorressem, cairia na visão teológica e metafísica.

Comte ressalta a divisão do trabalho intelectual como sendo um dos atributos da filosofia positiva por ser a base da organização do mundo do trabalho dos cientistas e a sistematização das ciências. Para o aperfeiçoamento dessa divisão, forma-se uma seção sobre o estudo das generalidades científicas controlada por uma classe distinta de novos cientistas.

O estudo da filosofia positiva tem a vantagem, segundo Comte, de tornar-se racional as leis lógicas do espírito humano. Recusa a introspecção e critica o método subjetivo empregado na psicologia como ilusório, permeado pela abstração das causas e dos efeitos, sem tese lógica, baseado em sonhos e impossibilitado de promover a observação dos fenômenos intelectuais.

O método positivo consiste na observação e na produção de um conhecimento nítido e profundo das investigações, manifestado pela experiência das leis.

Na visão do autor, a reforma geral do sistema de educação consiste em substituir a educação europeia, impregnada pela teologia, metafísica e a literatura, pela educação positiva. A essa reorganização educacional e racional, seria acrescentado o estudo das generalidades científicas, sucedendo à educação geral.

Extremamente pretensioso no pensar, Comte considera a filosofia positiva como a única base sólida capaz da reorganização social frente à desordem causada pelas filosofias teológicas e metafísica.

Com o termo “ Nada mais resta”, Comte reduz a filosofia a um único corpo de doutrina homogênea, à síntese de resultados das ciências específicas, ao fato positivo. A filosofia positiva seria a redentora da sociedade frente à crise revolucionária. Sendo assim, a filosofia de Comte restabeleceria a ordem na sociedade.

Na Segunda Lição do Curso, o autor expõe o plano, a classificação racional das ciências positivas. A classificação das ciências propostas até aquele momento tinham fracassado pela incompetência dos filósofos e pelo caráter prematuro de suas tentativas. Diante disso, as circunstâncias seriam favoráveis ao positivismo, tendo os filósofos da área de botânica e zoologia dado o suporte ao modelo das classificações provindas do próprio estudo dos objetos a serem classificados. O princípio é classificar os objetos, após a observação, eliminando as considerações a priori. Distingue os conhecimentos teóricos e práticos. A filosofia deve considerar os conhecimentos das teorias científicas, da pesquisa teórica e desconsiderar a prática ou as ciências particulares. Sendo qualquer classificação das ciências necessariamente artificial, a obrigação do filósofo seria combinar a exposição histórica com a exposição dogmática. O importante seria o conhecimento da história das ciências.

Comte divide as ciências naturais em Física inorgânica ou corpos brutos e física orgânica ou  corpos organizados. Em seguida, o autor faz um resumo da classificação das ciências, sendo a matemática, a astronomia, a física, a química, a filosofia e a física social. Explica as propriedades dessa classificação, especificando os aspectos históricos das ciências.

O Curso Filosofia Positiva é uma obra clássica e Comte postula o fundamento de uma doutrina positivista. Formulou a lei dos três estados, promoveu a classificação das Ciências e fundou a sociologia. O positivismo despreza a sensibilidade, o sentimento, a introspecção. Ressalta e prima pelo que é observável, que pode ser medido, que produza resultados palpáveis. Na realidade, Comte faz uma apologia à filosofia positiva, tida como a verdadeira e salvadora da humanidade. Tudo está reduzido ao conhecimento científico.

Nossa realidade tem ranços da filosofia positiva.

COMTE, Auguste. Curso de Filosofia Positiva. In: Os Pensadores. São Paulo: Ed. Abril, 1978, p. 1-39.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Um punhado de sal

"O velho Mestre pediu a um jovem triste que colocasse uma mão cheia de sal em um copo d'água e bebesse.
- Qual é o gosto? - perguntou o Mestre.
- Ruim. - disse o jovem sem pensar duas vezes.
O Mestre sorriu e pediu ao jovem que pegasse outra mão cheia de sal e levasse junto com ele ao lago. Os dois caminharam em silêncio, e quando chegaram lá o mestre mandou que o jovem jogasse o sal no lago. O jovem então fez como o mestre disse.
Logo após o velho disse:
- Beba um pouco dessa água.
O jovem assim o fez e enquanto a água escorria do queixo do jovem o Mestre perguntou:
- Qual é o gosto?
- Bom! - o jovem disse sem pestanejar.
- Você sente o gosto do sal? - perguntou o Mestre.
- Não. - disse o jovem.
O Mestre então sentou ao lado do jovem, pegou em suas mãos e disse:
- A dor na vida de uma pessoa não muda. Mas o sabor da dor depende de onde a colocamos. Quando você sentir dor, a única coisa que você deve fazer é aumentar o sentido de tudo o que está a sua volta. É dar mais valor ao que você tem em detrimento ao que ao que você perdeu. Em outras palavras: É deixar de ser copo, para tornar-se um Lago."

Autor: Desconhecido